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quinta-feira, julho 17, 2008

O Sorriso Dispensado



Faz-me falta aquele teu sorriso bondoso
Poisado em mim e nas coisas
Aquele brilho que transformava
Quadrados em círculos
Afastava a mais dura ferrugem
Cobria o mais denso nevoeiro
Com limalha de estrelas cadentes
Paciência não é a minha maior virtude!
Há que dizê-lo
Ainda que o lastime.
Foi-se e o que agora me revelas é escuro...
Ficou um riso nervoso e cínico
Um olhar cheio de vazio
E um coração marmeado
Permaneceu um silêncio irado
Capaz de implodir a mais tímida ponte.
O meu sorriso continua
Menos envolto no teu
Mais pobre portanto!
Com jogos de sombras...
O meu sorriso alimentava-se e era pão para o teu
Se calhar mais ninguém os via
Mas observei eu
No encontro daqueles sorrisos sincrones
Explodiam amores-perfeitos na berma dos passeios.

Virá o dia em que o teu sorriso já não me fará falta
Assemelhar-se-á a um selo esbatido num envelope antigo
Nesse momento serei mais livre
Lamentarei menos o teu sorriso metamorfoseado
Mas infinitamente mais despido
Porque permanecerá apenas o meu sorriso luminoso
Resistente ao hipotético sorriso dispensado por ti
E que poderíamos ter descoberto em percursos paralelos...


Morgana